Amândio Teixeira Costa Fala da Iluminação Profissional em Portugal

Das relações do Homem com o Ambiente, iluminado ou não, derivaram um conjunto de disciplinas que construíram uma historia muito própria e particular. Da primeira chama acesa às recentes tecnologias, a iluminação evoluiu assumindo papéis no imaginário e no mundo produtivo, ora funcional ora simbólico, iluminar hoje envolve ação e contexto, na qual iluminador e expetador trocam correspondências, trazendo o imaginário para o real e vice-versa.

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Nesta introdução ao assunto, Amândio Teixeira Costa, profissional da Martin – Harman Group do Brasil, conta-nos um pouco da iluminação nos grandes concertos, desde os pioneiros desta arte até os grandes profissionais e aos atuais recursos tecnológicos.

Anos 90

A iluminação em Portugal teve uma grande revolução na metade dos anos 90, até então a iluminação era feita de uma forma bastante arcaica e não utilizava aparelhos de motorizados, tudo se resumia a luz convencional e parada, equipamentos como: Par 64, Par 56, ACL, foco fino, entre outros eram os recursos disponíveis. Nessa época tiveram vários iluminadores que através do seu bom gosto marcaram toda a diferença, entre eles o Pedro Leston, Jorge Pato, Vitor Azevedo, Pedro Rua, Cristovão Verissimo. Com a introdução dos aparelhos moving light, trouxe uma inovação a iluminação ao país, pois com isso as possibilidades de efeitos de luz foram muito maiores e mais sofisticadas.
O padrão DMX criou um protocolo de comunicação entre as mesas de controle e os aparelhos eletrônicos

O padrão DMX criou um protocolo de comunicação entre as mesas de controle e os aparelhos eletrônicos

DMX-512, nada será como antes

Em meados de 1980, as mesas de iluminação analógicas, praticamente, só comandavam o Dimmer – aquele dispositivo usado para variar a intensidade luminosa de uma ou mais lâmpadas e controlar a quantidade de energia enviada, gerando maior ou menor luminosidade. Até que surgiu o protocolo de comunicação DMX-512 (padrão criado para a comunicação entre dispositivos de iluminação), revolucionou as formas de iluminar pequenos e, principalmente, grandes espetáculos. O protocolo DMX veio trazer uma maior facilidade e rapidez no processo de comunicação entre as consoles e aparelhos de iluminação, antes desse aparecimento a comunicação entre eles eram feito de uma forma analógica, para a console de iluminação poder comandar, por exemplo 10 aparelhos de luz convencionais, seria preciso um multi-cabo com 30 cabos no seu interior, pois para cada aparelho convencional teria que precisar de 3 cabos (1- fase, 2- neutro, 3-terra) , agora imaginem um palco das dimensões do dos Pink Floyd, quantos destes multi-cabos seriam preciso para colocar todo o sistema a funcionar?
Pink Floyd The Wall 1980 Concert

Pink Floyd The Wall 1980 Concert

A introdução do LED e Laser

A partir do momento em que o protocolo de comunicação virou um sistema digital, o céu se tornou o limite. Cada vez mais as mesas precisam de mais universos de DMX e o protocolo de comunicação agora já esta sendo feito via Art-Net, com cabos de fibra óptica, em que a necessidade de utilização de milhares de parâmetros faz parte do quotidiano. Um dos grandes destaques do momento são os painéis de LED HD que cada vez mais estão presentes nos eventos e shows internacionais virando uma ferramenta imprescindível para os Light Designers pelo mundo a fora, outro recurso é o Laser, cada vez mais utilizado em casas de shows, baladas eletrônicas e nos palcos de DJ´s mundialmente famosos. O espectador está cada vez mais refinado e interessa-se não só por ouvir o seu cantor favorito, mas também por ver um bom espetáculo multimídia.

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Mesa de iluminação e softwares

A evolução tecnológica obriga a que as consoles de iluminação sejam mais potentes e alta performance, a menos de 15 anos atrás uma das mesas mais utilizadas tinha um processador similar a um 486 (processador padrão de um bom PC no final dos anos 90), atualmente são equipadas com processadores i7 64 GB SSD, o que representa um enorme crescimento na tecnologia da iluminação, para além disso a utilização de softwares 3D de simulação virtual representa outro um grande avanço, cerca de meia dúzia de anos atrás, num festival com vários iluminadores seriam precisos varias horas de programação, inclusive muitas das vezes ter que “virar a noite”, pois as condições ideais para programar teriam que ser de noite, sujeito as intempéries do local. Agora com os avanços nos simuladores 3D, o iluminador pode programar em casa, com todo o conforto e antecedência ou então utilizar os estúdios 3D disponíveis nos grandes festivais.

Conexão atual entre o Artista, a Música e a iluminação e sua interatividade com a audiência

Cada vez mais o sincronismo através de Timecode, faz com que o artista, o musico, a imagem, a luz e o áudio estejam intimamente ligados, para que o show seja perfeito à audiência. É muito normal hoje em dia vermos shows completamente sincados entre luz, som e imagem, isso leva-nos a um novo patamar.
Super Bowl da NFL, no Estados Unidos, a luz cada vez mais ocupa um lugar de alto destaque no show business

Super Bowl da NFL, no Estados Unidos, a luz cada vez mais ocupa um lugar de alto destaque no show business

O futuro da iluminação

Como referi anteriormente, o céu é o limite. A meu ver o conceito holográfico não tarda a fazer parte dos shows de alta performance, e com isso nos levar a um novo conceito de iluminação, em que a interatividade esteja cada vez mais presente entre o artista e o publico.
Amândio Teixeira Costa, profissional da Martin – Harman Group do Brasil, com mais de 25 anos de experiência na área da iluminação profissional, trabalhou em Portugal como Light Designer em inúmeras bandas, como: Mind da Gap, Pedro Khima, Lullabye, Be-Dom, Santamaria, Frei Fado Del Rey, Slimmy, Reporter Estrabico, Raul Marques e amigos da Salsa, Ricardo Azevedo, entre outros. Foi iluminador residente durante 6 anos no mítico bar HARD CLUB em Gaia e também no Centro Cultural de Ilhavo e Centro Cultural da Gafanha da Nazaré onde passou dois anos como Iluminador e responsável técnico de iluminação.

Amândio Teixeira Costa, profissional da Martin – Harman Group do Brasil, com mais de 25 anos de experiência na área da iluminação profissional, trabalhou em Portugal como Light Designer em inúmeras bandas, como: Mind da Gap, Pedro Khima, Lullabye, Be-Dom, Santamaria, Frei Fado Del Rey, Slimmy, Reporter Estrabico, Raul Marques e amigos da Salsa, Ricardo Azevedo, entre outros. Foi iluminador residente durante 6 anos no mítico bar HARD CLUB em Gaia e também no Centro Cultural de Ilhavo e Centro Cultural da Gafanha da Nazaré onde passou dois anos como Iluminador e responsável técnico de iluminação.

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