Domingos Marcelino da Mind The Music

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Houve uma época em Portugal, há cerca de 25 a 30 anos, em que quase toda uma geração esteve de algum modo ligado a um projecto musical, directa ou indirectamente, e em que se fazia música pelo puro prazer da criação e pela emoção de a partilhar com um público vibrante e ávido. Foi nesse contexto e numa dessas míticas arenas da música moderna portuguesa da capital que conheci o Domingos.
Alguns anos depois reencontrei-o como comercial numa casa onde adquiri os meus primeiros sistemas de áudio: a Transom, com muitos anos no mercado, mas que após uma menos bem sucedida expansão em shoppings fechou portas. A última loja a cair fora uma loja nas Amoreiras muito por graça a Domingos e do sucesso que imprimiu à Linn na região de Lisboa. Em 2009 tive o privilégio de conhecer Ivor Tiefenbrun, o controverso escocês criador da Linn Audio, através de um dos seus melhores agentes na Europa, o “escocês-algarvio” Mark Wylie, da então Cinesom de Almancil. Em 2010 voltei a encontrar Domingos que me disse que estava na Esoterico, empresa de distribuição de marcas muito comerciais do áudio como Onkyo, NAD, etc. “Então e a Linn?”, perguntei-lhe como que adivinhando que a sua relação com a marca não iria ficar por ali. Em 2012, Domingos, com um sócio, abriu a Mind the Music, com um showroom maioritariamente da Linn, e com contínuo sucesso até hoje.
Afirmarmos que a Linn foi uma das primeiras a apostar em streaming de ficheiros de alta resolução é o mesmo que dizermos que a BASF foi uma das primeiras a comercializar cassetes de fita magnética.
Para entendermos o que é a Linn temos impreterivelmente de (tentar) entender o seu criador, definitivamente com algo de génio e de louco, e com afirmações como “só há dois modos de fazer as coisas no áudio: à maneira da Linn ou à maneira errada”. É também necessário recuar aos anos 90 e às “guerras” entre Ivor e Ken Kessler, esse enorme vulto da crítica áudio, que o acusa de doutrinário, propagandista, “brainwashing”, e de criar os seus sistemas apenas para interagir com equipamentos da mesma marca.
Não me cabe aqui tirar parte pelo crítico ou pelo criador. Mas o percurso, os louvores das mais elevadas entidades, o desenvolvimento e criação de tantos produtos e tamanhas tecnologias (ver historial da Linn), e os resultados absolutamente notáveis, de vanguarda, e de forma tão consistente ao longo dos anos parecem-me rever razão em Ivor e méritos na sua Extreme Engineering. .
O que leio da sua “doutrina” é que, num presente incerto, Ivor aponta uma direcção. Para ele o futuro do áudio está claramente na tecnologia e em novas abordagens para velhos problemas, e não no refúgio no revivalismo e no baralhar e voltar a dar. O seu trabalho nas fontes de streaming de áudio, mundialmente reconhecidas e cada vez mais evoluídas, e o desenvolvimento obsessivo de soluções para as quebras e falhas dos sistemas convencionais, culminam no Exakt, um sistema de quase perfeição, que nos exulta à emoção. À tal emoção que referi no início, e do prazer de a transmitir ao público por parte de quem a faz ou a produz.
Domingos Marcelino não impõe doutrinas ou ideias-feitas apenas, como um bom entrevistador, deixa fluir o melhor que o sistema Klimax Exakt tem para dar e conduz-nos por factores diferenciadores como a emoção, precisão, pormenor e noção de palco que se prova do sistema. Exakt é uma tecnologia que oferece um avanço extraordinário, proporcionando a conexão mais directa já feita entre ouvinte e artista, ao levar o sinal digital sem perdas por todo o caminho até ao altifalante, e deste modo eliminando as fontes de ruído e distorção que existem no circuito analógico do hi-fi tradicional.
No caso do sistema Klimax Exakt, na sala principal da Mind The Music, que combina o Klimax Exakt DSM e uma das colunas tecnologicamente mais avançadas que já ouvi: as Klimax Exakt 350 que levam o integrado Aktiv para um outro nível – a fonte está no altifalante, alimentado por uma única entrada digital; o crossover digital dentro de cada coluna oferece seis canais independentes controláveis​​, cada um com seu próprio controlo de volume, DAC (imediatamente antes de cada altifalante para evitar perdas) e amplificador de potência (um para cada altifalante).
O Exakt permite eliminar completamente magnitude e distorção de fase, e optimizar a posição das colunas num determinado espaço através de um sistema de algoritmos que permite a recolocação noutro local próximo mantendo os parâmetros de reprodução do local óptimo, previamente estabelecido.
Em relação à “doutrina” que reúne um apreciável número de seguidores em Portugal, e para terminar aconselho: se é crente, encomende! Se tem de ouvir para crer, marque uma audição com o Domingos Marcelino…
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Samuel Sousa

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