Sérgio Castro da Reflexion Arts

A face mais conhecida de Jorge Castro é como o vocalista dos Trabalhadores do Comércio, marco incontornável na história do rock português. Em 1979, com Álvaro Azevedo, membros dos Artes & Ofício, iniciam um projeto paralelo chamado Trabalhadores do Comércio, conhecidos pelas letras irreverentes e humorísticas com sotaque do Norte, enquanto os Artes mantêm o registo sempre em inglês.
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O primeiro álbum “Tripas à Moda do Porto” foi gravado em Londres e contém o emblemático “Chamem a Polícia”, para além de “Birinha” e “Sim, Soue Um Gaijo do Porto”. Em 1982 é editado o segundo LP chamado “Na Braza”, que não conseguiu chegar ao grande público e o grupo suspende as suas actividades. Em 1986 a banda concorre ao Festival RTP da Canção e fica em segundo lugar com a música “Os Tigres de Bengala”. Sérgio Castro que entretanto se mudara para Vigo reagrupa a banda e grava “Mais Um Membro Para a Europa”. Depois de uma paragem de 4 anos voltam em 1990 com o álbum “Sermões a Todo o Rebanho”. Em 1996 regressam com um CD Duplo “O Milhor dos Trabalhadores do Comércio” e desde então reúnem-se esporadicamente para concertos em Vigo e Portugal, e muito em breve uma tourné da banda em Portugal em versão acústica.
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A outra face menos conhecida, mas não menos interessante, é a de Jorge Castro como eminência no desenvolvimento de estúdios high end, enquanto gerente da mítica Reflexion Arts, e responsável do estudo acústico, integração e execução de estúdios, salas de ensaio, estando no seu portfolio o som de casas como o Johny Guitar, nos anos 90, na época gerido por outra personagem da história do rock luso chamado Zé Pedro.

Jorge Castro é o responsável da empresa especializada na concepção de estúdios de gravação high end, Reflexion Arts, em Vigo, Espanha, distribuindo algumas marcas elitistas de áudio e tecnologia de estúdio através da Funky Junk, e com uma marca própria de monitoras desenvolvida pelo guru Philip Newell, com quem colabora há mais de 20 anos. Jorge Castro fala com grande respeito e admiração de Newell e resume com humildade a sua atividade na concepção de estúdios dizendo que “basicamente vendemos o know-how de Philip Newell, a um âmbito europeu e mundial.”
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A história da Reflexion Arts é em si só digna de registo, pois foi originalmente fundada em 1980 pelo anglo-russo Alex J., destinada a gerir as operações comerciais de Albert Cooper, cujas famosas flautas de ouro e prata ainda são usadas por músicos como James Gallway. Em 1983, durante um concerto do ex-flautista dos Eurythmics Tim Wheater, Alex J. conheceu um engenheiro de som de grande prestígio chamado Philip Newell. Desse encontro nasceu um acordo entre Newell e Weeks, com vista a expandir a atividade de Reflexion Arts para projetar estúdios de gravação de alto nível e teve como primeiro resultado, em 1984, o Court Studio de Jacobs Studios em Farnham, Inglaterra.

O regresso de Philip Newell para o design acústico veio dois anos depois quando vendeu as suas ações da Virgin Records com a qual havia passado 10 anos como diretor técnico, tendo concebido o Manor Mobile, o primeira estúdio móvel especialmente projetado para 24 pistas, tendo sido usado com muitos artistas e grupos famosos, incluindo a Real Philamornic Orchestra, a Duke Ellington Orchestra, Crosby Stills Nash and Young, Alvin Lee (Ten Years After), The Queen, o Kenton Orchestra Stan, Captain Beefheart ea Banda Magia, Mike Oldfield, a London Symphony Orchestra, Orquestra Filarmônica de Varsóvia, Jethro Tull, Genesis, Little Feat, Small Faces e muitos outros.

Em 1975, em colaboração com o designer californiano Tom Hidley (fundador da Westlake Audio), Philip Newell reconstruía os estúdios Manor. Em 1978, a mesma dupla foi responsável pela criação dos estúdios Townhouse em Londres. Durante a construção, Newell projetou a sala de pedra do estúdio 2, que se tornou famosa pelo seu som de bateria inovador produzido em “In the Air Tonight” de Phil Collins.
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Em 1985, Sergio Castro andava à procura de um especialista para projetar o seu estúdio Planta Sonica em Vigo, e haviam-lhe recomendado um encontro com os britânicos Newell. Sergio voou para Londres e foi falar com Newell nos escritórios da Alex Weeks. Reflexion Arts tinha começado a projetar e produzir monitores de sistemas de áudio e, depois de ouvir, Sergio pediu um par deles para o Planta Sonica. O estúdio foi inaugurado em 1987 e imediatamente ganhou uma excelente reputação. Também foi construído uma sala de pedra, mas, neste caso, de granito, em vez de ardósia usada em Townhouse. Esta sala gerou enorme interesse até que o estúdio foi destruído por uma devastadora inundação de 1990.

Após o desastre, Castro voltou a entrar em contato com Newell, desta vez para uma avaliação por peritos para fins de seguro. Philip Newell tinha deixado a Reflexion Arts, em Março de 1988, e era agora um consultor independente, tendo estado cerca de um ano a patrocinar a investigação no Instituto de Sound and Vibration Research (ISVR), um departamento da Universidade de Southampton, na Inglaterra.

Sergio retornou a Inglaterra no início de 1991 e ficou tão impressionado com o protótipo que combinava os monitores RA234 e o novo conceito de sala de controle, que com Alex J comprou os direitos do nome Reflexion Artes e registou uma nova empresa em Portugal, juntamente com o seu antigo parceiro da Planta Sonica, Álvaro Azevedo, contando com Philip Newell como conselheiro da empresa.
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Actualmente a Reflexion Arts é uma empresa com sede em Vigo, com uma equipa de elementos portugueses e espanhóis, onde se ouve português, galego, castelhano e inglês, e que trabalha a nível europeu para uma carteira de cliente muito elitista e exigente. Jorge Castro é também sócio-gerente da Funky Junk Espanha, que funciona no mesmo espaço, na distribuição ibérica de marcas de áudio e ainda responsável pelos novos estúdios de ensaios Planta Sonica também em Vigo.

Início de tarde de Fevereiro de 2016, em Vigo, tarde fria mas solarenga, num restaurante trivial, com Portugal ali tão perto. A conversa com Jorge Castro flui entre a criação e composição musical, as influências de Frank Zappa, e admiração por alguns músicos nacionais que vão integrar a próxima digressão dos Trabalhadores, a execução de estúdios em diversos países para músicos excêntricos, a gestão de marcas de áudio, o mercado audiovisual, sem nunca conseguirmos pesarmos a sua idade, tal a vitalidade, inquietude, e total imersão nos tempos e tecnologias actuais, e ainda lhe sobra alma (mas pouco tempo) para projetos musicais e tournés revivalistas.
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Diz faltar-lhe tempo para os ensaios e para a vertende criativa, quando se aproxima uma tournée, em jeito de regresso dos Trabalhadores do Comércio. “Para conseguir ler um livro acordo antes de toda a gente, quando os aparelhos eletrónicos ainda não nos invadem os sentidos”.

Definir o som como um movimento ondulatório, de carater periódico, que se pode decompor segundo o Teorema de Fourier, e que a sua cadência o fazem mais ou menos agradável ao ouvido humano, é como reduzir a vida aos livros que lemos, de madrugada ou noite dentro. A informação é importante mas a verdade é que todas as fórmulas de acústica e audiometria conhecidas não nos fazem chegar ao resultado final de um “bom som” num “bom estúdio” com uma “boa acústica”… Jorge Castro recorre e bebe da teoria e estudos de Newell, com alguns livros editados, mas adiciona-lhe uma dimensão empírica, oriunda do seu percurso, vivências, criatividade, e inquietude, numa procura pela desconstrução, própria de um artista único que em si mesmo confunde-se com a história do rock português, dando vida a alguns dos mais impressionantes estúdios da Europa.
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O próximo projeto musical será um álbum a solo, “com músicas que componho desde os 13 anos”, diz com a vontade de não deixar fugir a ideia, embora inseguro quanto à sua execução, dada a falta de tempo emprestado ao som e aos projetos de estúdios.

Eis algumas das marcas que Jorge Castro trabalha e domina com mestria: Aka Design, Alphaton, Apogee, Audient, BAE Audio,Cableado/Conectores, CEntrance, Direct Sound, Drawmer Electronics, Earthworks, Emes, Empirical Labs, Fixed Noise, Icon Global, Kahayan, Kush Audio, La Audio, Libros Focal Press, Lynx, Magix, Matt Audio Labs, Mighty Bright,MTR, Neumann, Neva Audio, Park Audio II, Quested,Raindirk Audio, Reflexion Arts, Rupert Neve, Sabra-som,Schertler, Signex, Sontronics, Stands.pl, Summit Audio ,TC Electronic, Tfpro, TL Audio, Tube-Tech, Universal Audio,Valvulas, Vicoustic, Violet Design,

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